Palestra traz reflexão sobre a violência contra as mulheres
Publicado em: 27/11/2017 ás 13:26:00 Autor: Heliana Oliveira

No último dia 25 foi comemorado o Dia Internacional da Não-violência Contra a Mulher. Em 1999, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas instituiu essa data em homenagem às “Mariposas”, três irmãs da República Dominicana, Pátria, Minerva e Maria Teresa, que foram brutalmente assassinadas pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo. Esse dia é para reflexão sobre a situação de violência em que vive considerável parte das mulheres em todo o mundo.

Em Cariri, para lembrar essa data, foi realizada nesta segunda-feira, 27, uma palestra com o delegado aposentando e advogado João Veloso, que destacou as diversas violências que muitas mulheres são submetidas, que são qualquer tipo de coação que cause danos, constrangimentos, limitações, sofrimento físico, sexual, moral, econômico e até a morte.

Conforme o palestrante, a violência não é apenas a física, embora essa seja a de maior incidência em registros chegando ao percentual de 50,75%, mas também há a psicológica que chega a um percentual de 31,16%. Tem também a violência moral com 9,98% de registros, a violência sexual com 2,89%, a patrimonial com 2,07%, e ainda há registros de cárcere privado no percentual de 1,82%, e tráfico de pessoas que computa 0,34%.

João Veloso afirmou que no trabalho muitas mulheres ainda convivem com o assédio de chefes, que se dá muitas vezes por meio de elogios exacerbados, convites, oferecimentos de cargos entre outras investidas.

O advogado destacou a importância das mulheres denunciarem essas atitudes, mas muitas que sofrem até mesmo violência física se sentem intimidadas e pouco acolhidas nas delegacias, sofrendo, inclusive, um pré-julgamento e até mesmo levando a culpa de terem sido violentadas. “Às vezes por estar vestida com uma determinada roupa o abusador se acha no direito de violentar a mulher, pois acha que ela estava o provocando. E esse discurso muitas vezes encontra abrigo com outros homens na hora que a mulher vai fazer a denúncia, o que em alguns casos termina fazendo com que a mulher se sinta culpada. Mas quero dizer que vocês mulheres não têm culpa da violência que sofrem. Que têm o direito de vestir-se como quiserem, de se sentirem bonitas, de frequentarem o ambiente que desejar, e os homens têm que respeitar”, destacou completando que 98% das mulheres já foram assediadas nas ruas.

Durante a palestra, João Veloso ainda relatou sobre o Feminicídio, que é a perseguição e morte de mulheres. É um crime de ódio e considerado hediondo. O feminicídio é a expressão fatal das diversas violências que podem atingir as mulheres em sociedades marcadas pela desigualdade de poder entre os gêneros masculino e feminino e por construções históricas, culturais, econômicas, políticas e sociais discriminatórias.

Ele também alertou sobre programas de apoio às mulheres, sobre a Lei Maria da Penha, sobre o disque 180 e sobre o aplicativo “Sai Pra Lá”, ferramentas que as mulheres podem procurar.

Cariri do Tocantins

Em Cariri do Tocantins, 60% dos casos atendidos em 2017 pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas),  foram relacionados à violência física, psicológica e abuso sexual contra mulheres.

Segundo a psicóloga do Creas, Joice Figueredo, os casos de violência são encaminhados primeiramente para as autoridades policiais e órgãos do Sistema de Garantia de Direitos, onde poderá ser solicitado o afastamento do agressor e aplicação de medidas protetivas para assegurar a integridade dessas mulheres, posteriormente é realizado o acompanhamento familiar pela equipe do Creas.

A palestra dessa segunda-feira com o advogado  João Veloso, faz parte de umas das metas para capacitar a rede de apoio formada pelo Centro de Referência da Assistência Social (Cras), Creas, Conselho Tutelar e Agentes Comunitários de Saúde. 

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